Opinião Sincera | Carol

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Enquanto Carol Aird (Cate Blanchett) procura um presente de Natal para sua filha, ela se encanta por Therese Belivet (Ronney Mara), vendedora de uma loja de departamento; o interesse mútuo entre as duas desencadeia em um intenso romance. Mesmo surfando na onda de filmes sociais que acomete Hollywood ultimamente, o longa se diferencia por se passar em meio aos anos 50, uma época na qual o preconceito contra a homossexualidade reinava.

Um dos pontos altos do filme é a união entre as direções de arte e de fotografia com o figurino, que traz uma ambientação impecável, te transportando direto para os anos 50. Não é à toa que foi indicado a vários prêmios, entre eles os Oscar de melhor fotografia e melhor figurino. Porém a volta ao tempo não para por aí, não é difícil ver o preconceito da época quando até um simples segurar de mãos é retratado com tanto cuidado como se fosse um crime hediondo (qualquer semelhança com os dias de hoje é mera coincidência.... Ou não).

Além disso, a direção, por conta de Todd Haynes, mostra com uma enorme delicadeza o romance, até nos menores detalhes, o qual acontece de uma forma gradual e realista. Apesar de isso tornar o filme devagar no início, te faz, ao mesmo tempo, admirá-lo.

Porém, a direção brilha de verdade ao retratar e transmitir a angústia de Carol, que é acusada judicialmente pelo seu marido de imoralidade devido a sua orientação sexual, fazendo-a correr o risco de perder a guarda de sua filha e, por isso, frequentar terapia para tentar reverter “seu quadro”.

Por outro lado, o ponto baixo do filme é uma das próprias protagonistas, Therese, a qual, mesmo mostrando uma face interessante da história: a da auto descoberta, não possui nenhum carisma. Apesar de ter um namorado na sua era pré-Carol, Therese não aparenta se importar nem mesmo com ele; assim, sua completa falta de simpatia torna as cenas sem sua amante arrastadas e difíceis de digerir.

Carol é um filme lento e que pode beirar a monotonia para os mais agitados, mas isso não o impede de ser interessante, principalmente nas entrelinhas, uma ótima pedida tanto para distrair quanto para analisar.