Opinião Sincera | Dark Souls

 

Matando e causando frustração nos players desde 2011, a franquia Dark Souls é um game de hack’n’slash (não considero RPG, como muitos colocam) criada pela FromSoftware e publicada pela Namco Bandai e é um dos jogos mais populares (e temidos) da geração PS3/Xbox360.  

A história de fundo, assim como o desenvolvimento dela, é confusa e interpretativa, mas pode ser sintetizada pela introdução:

In the Age of Ancients the world was unformed, shrouded by fog. A land of gray crags, Archtrees and Everlasting Dragons. But then there was Fire and with fire came disparity. Heat and cold, life and death, and of course, light and dark. Then from the dark, They came, and found the Souls of Lords within the flame. Nito, the First of the Dead, The Witch of Izalith and her Daughters of Chaos, Gwyn, the Lord of Sunlight, and his faithful knights. And the Furtive Pygmy, so easily forgotten. With the strength of Lords, they challenged the Dragons. Gwyn's mighty bolts peeled apart their stone scales. The Witches weaved great firestorms. Nito unleashed a miasma of death and disease. And Seath the Scaleless betrayed his own, and the Dragons were no more. Thus began the Age of Fire. But soon the flames will fade and only Dark will remain. Even now there are only embers, and man sees not light, but only endless nights. And amongst the living are seen, carriers of the accursed Darksign. (Na Era dos Antigos, o mundo estava sem forma, envolto por neblina. Uma terra de penhascos cinzentos, Archtrees e Everlasting Dragons. Mas depois houve fogo e com o fogo veio disparidade. Calor e frio, vida e morte, e claro, luz e escuridão. Então, do escuro, Eles vieram e encontraram as Almas dos Lordes dentro da chama. Nito, o Primeiro dos Mortos, A Bruxa de Izalith e suas Filhas do Caos, Gwyn, o Senhor da Luz do Sol e seus fiéis cavaleiros. E o pigmeu Furtive, tão facilmente esquecido. Com a força dos Lordes, eles desafiaram os Dragões. As poderosas flechas de Gwyn desceram suas escamas de pedra. As bruxas teceram grandes tempestades de fogo. Nito desencadeou um miasma de morte e doença. E Seath o Scaleless traiu seu próprio povo, e os dragões não existiam mais. Assim começou a Era do Fogo. Mas logo as chamas vão desaparecer e apenas Dark permanecerá. Mesmo agora há apenas brasas, e o homem não vê luz, mas apenas noites sem fim. E entre os vivos são vistos portadores do maldito Darksign.)

Partindo disso, jogamos com um humano amaldiçoado pela Darksign que é considerado o “escolhido” que deve viajar para Lordran, a terra do Lordes, e seguir seu destino. Depois disso, o desenvolvimento e as explicações são com base na interpretação dos poucos diálogos e cutscenes encontrados e pela descrição de itens.

Como comentei acima, não considero a franquia Dark Souls como jogos de RPG. No episódio do Puxadinho Cast sobre RPG, desenvolvemos um pouco o conceito de role-playing games e, como falei, jogos eletrônicos não podem ser de RPG por não possuir a interpretação do personagem pelo jogador. No máximo, esses jogos podem ter elementos de RPG, que é o caso do game em questão. O sistema de escolher sua classe no início (mesmo que no end-game não faça diferença), distribuir pontos quando passam de level e a própria ambientação de fantasia medieval caracterizam influências do icônico jogo de dados.

A recepção do jogo, assim como dos outros episódios e spin-offs, foi excelente. Inclusive ganhou prêmios de melhor do ano. Entretanto, existem algumas críticas que devem ser feitas. Os bugs foram uma parte frequente do meu gameplay: inimigos com ataques que atravessavam a parede, rolamentos que iam para a direção errada (e levando a uma morte certa), inimigos brotando do chão (e não eram nem inimigos que faziam isso). Quanto à narrativa, não tenho críticas, inclusive acho a confusão narrativa uma das partes mais interessantes, abrindo margem para interpretação.

Minha experiência pessoal com Dark Souls começou em 2014 quando comprei o CD para o meu Xbox360 (sdds). Joguei e morri tantas vezes que sempre recomeçava pela frustração com meu personagem.

Após anos de raiva e desgosto, comprei esse infame game para PC e fui determinado a zerar por uma questão de honra. Após umas 300 mortes, consegui zerar e o final foi frustrante para mim.

Dias depois, refletindo sobre aquilo, o final fez sentido: pode até não ter sido um ending épico, com uma batalha final de proporções homéricas, mas a satisfação de poder conquistar algo após várias e várias e várias e várias tentativas que é a recompensa. Não conheço sentimento mais pleno do que a realização após algo que você se esforçou muito para conseguir.

Encerrando, essa franquia é frustrante. O maior sentimento que temos quando jogamos é de fraqueza e inutilidade. Raiva e ragequits permeiam todo o gameplay. Mas afirmo: é muito prazeroso chegar e falar “ZEREI!”.