Opinião Sincera | O Doutrinador

 

Em uma época em que a intolerância com a corrupção atinge seu ápice, surge O Doutrinador. O filme teve sua estreia no último dia 1º de novembro e adapta a HQ brasileira criada por Luciano Cunha. O longa foi dirigido por Gustavo Bonafé e tem o seu roteiro assinado por Gabriel Wainer, Luciano Cunha, L.G. Bayão, Rodrigo Lages e Guilherme Siman.

[Possíveis spoilers abaixo]

Remetendo muito ao anti-herói da Marvel, Frank Castle (Justiceiro), o filme conta a história de Miguel Montessant, um agenda federal da DAE (Divisão Armada Especial), que, após experimentar uma grande perda, decide partir para vingança, fazendo justiça com as próprias mãos.

A partir disso, ele assume a identidade de Doutrinador e começa uma cruzada para eliminar todos os políticos e empresários corruptos que tomaram conta da política do país e se aproveitam do sistema para seus próprios interesses.

Outro ponto de semelhança com o Justiceiro é que, para ajudá-lo em sua missão, ele contará com a ajuda de Nina, uma grande hacker, o que lembra bastante o Micro que também auxilia Castle em sua missão através de suas habilidades no computador.

Em relação ao audiovisual em si, o filme entrega uma grande fotografia noturna, criando uma estética muito boa e que não é tão comum em produções brasileiras. As cenas de ação são muito bem executadas, porém com algumas falhas como um diálogo no fim que seria para uma criar uma grande tensão na cena, mas não a cria e é logo resolvido, dando a impressão que poderia ter sido cortado e não faria nenhuma diferença

Por se tratar de um longa metragem, com pouco menos de duas horas, não há muito tempo para explorar os personagens. Tudo acontece muito rápido e não dá para criar uma conexão com o protagonista e sua família. Sua perda que o motiva a se tornar um justiceiro acontece de maneira solta no filme e Miguel não passa toda a carga emocional que deveria ser passada, como se ele se tornasse o Doutrinador porque tinha que acontecer, afinal é a história do filme.

Essa desconexão com o agente por trás da máscara é tão expressiva que é mais interessante acompanhar seus “trabalhos” noturnos, visto que, sem a máscara, ele não consegue criar empatia quase nenhuma para que o espectador se importe.

Mesmo com essas falhas, é um filme muito divertido de se ver, com boas cenas de ação, principalmente se for familiarizado com O Justiceiro, da Marvel. No segundo semestre de 2019 estreia a adaptação para série de TV, que foi filmada ao mesmo tempo que o longa. Com mais tempo para contar sua história, esperemos que a produção televisiva seja melhor e preencha as lacunas do que vimos no cinema.