Opinião Sincera | Layers of Fear

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                 Um terror psicológico da forma que necessitávamos já há algum tempo, Layers of Fear chega nessa geração trazendo uma formula diferenciada de terror, bebendo da fonte do P.T, o Playable Teaser do infelizmente já extinto Silent Hills (um minuto de silêncio em honra desse incrível jogo). Nele temos um gênero que abusa de mecânicas voltadas para gerar tensão psicológica no jogador e situações onde nos sentimos neuróticos, sem entender o que está acontecendo na tela e sem saber o que nos espera na próxima porta, corredor ou até mesmo ao nos virarmos de costas.

                 O jogo traz como protagonista um grande pintor, bem famoso no passado, que retorna a sua casa e seu estúdio em busca de conseguir completar a pintura que ele considera perfeita e, para isso, buscará seis “ingredientes” que ele considera especiais e acredita que farão possível a criação dessa arte. Para isso, ele enfrentará uma aventura pela sua mente e pelo seu passado, que trarão revelações obscuras que nem ele mesmo podia imaginar, tanto sobre ele quanto sobre a sua história e pessoas ao seu redor.

                   Fazendo uso da clássica câmera em primeira pessoa, já consagrada por jogos como Amnesia e Slender Man, temos o ponto de vista de nosso protagonista sobre o mundo ao seu redor, enquanto ele se aventura pela sua casa. É curioso e, ao mesmo tempo, bastante interessante de notar a preocupação e o cuidado que os desenvolvedores tiveram ao retratar até seu caminhado manco, algo que, por vezes, gera um pequeno desconforto, já que a câmera não mantém um foco ou padrão.

                    Com uso de uma mecânica parecida com a de Outlast, onde não podemos atacar, apenas devemos focar em seguir pelo cenário, porém com diferenças perceptíveis do mesmo: em Layers não somos “perseguidos” por inimigos, nem corremos risco de morte, assim, também não precisamos nos defender de nada ou ninguém, nem por isso a tensão do jogo é cortada. Também não temos a constante necessidade de encontrar “itens chave” no cenário para poder avançar ou retornar para algum lugar fechado, mantendo a constante linearidade quanto ao prosseguimento na história.

              O jogo é dividido em seis capítulos, representados pelas seis camadas da pintura que são preenchidas a partir da coleta dos seis ingredientes especiais, onde, ao avançar de cada capítulo, significa se afundar cada vez mais na mente doentia do protagonista, conhecendo suas verdades e vendo a sua mente cada vez se deteriorar mais. Temos, com isso, a evolução crescente do terror existente na tela.

               O terror do jogo se baseia na criação de desconforto e tensão constantemente gerada pela sensação de imprevisibilidade que é estabelecida no decorrer da trama, junto à trilha sonora acompanhada dos pequenos ruídos que são constantes ao fundo, rapidamente substituídos pelo suspense ou susto, acompanhando o desenvolvimento do jogo. A história macabra que nos é apresentada também gera repulsa, principalmente caso o jogador consiga entender todos os detalhes do que está se passando no decorrer da história.

                Layers of Fear consegue cumprir sua missão com primazia, trazendo bons sustos e um mistério que te mantém preso até o momento em que finalmente consiga entender toda a história. O jogo peca apenas por trazer uma trama confusa e de difícil entendimento, principalmente caso o jogador não vá realmente a fundo nela. Caso não haja uma real imersão no jogo, o terror também pode ser facilmente esquecido, retornando apenas nos momentos mais tensos da trama, em sustos ou casos em que sabemos que conseguimos notar que algo vai acontecer. Resumindo, Layers Of Fear é uma ótima aquisição para jogadores que curtem terror psicológico e uma história profunda. Recomendo apenas aguardar para adquirir o mesmo em promoção, já que o preço de R$36,00 (conferir na Steam) pode ser considerado salgado para um jogo tão curto.