Opinião Sincera | Jojo's Bizarre Adventure

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              JoJo’s Bizarre Adventure ou JoJo no Kimio na Boken é uma série de mangá escrita por Hiroriko Araki que teve sua primeira publicação em 1987 e continua sendo publicado até hoje sendo, assim, uma das séries mais longas de mangá que existem.

               O mangá é dividido em partes que contam sobre a trajetória da família Joestar, uma família destinada a derrotar seres sobrenaturais usando o poder da Onda.

               Em 2012 foi lançado na emissora Tokyo MX a adaptação para o anime feita pelo estúdio David Production, cobrindo as duas primeiras partes do mangá, Phantom Blood e Battle Tendency. O David Production fez um ótimo trabalho em recriar a arte do seu autor original, chamando vários artistas para desenhar os diferentes corpos dos personagens, já que o Hiroriko Araki possuía um estilo bem particular de desenho, com exageros de musculatura em personagens masculinos, enquanto possuía um traço mais comum para personagens secundários. Como o anime foi adaptado de um mangá em que não se existiam cores padrões para os personagens, o estúdio acabou optando por uma variação do diagrama de cores, colocando cores mais frias em ambientes mais escuros ou mudando completamente a coloração em cenas mais tensas. A animação está ótima, mas é possível sentir o baixo orçamento em alguns pontos, onde as cenas são mais reaproveitadas quando os personagens estão parados, mas, comparando a vários outros animes, onde ocorre muito mais reaproveitamento de cenas para se manter o baixo orçamento, a animação está com excelente qualidade.

              O anime possui duas aberturas e um encerramento, uma para cada parte da história e cada abertura com uma música feita especialmente para ser a abertura do anime, especialmente a primeira abertura, que possui gritos de “JOJOOOOO”. No encerramento, temos Roundabout da banda Yes, uma das favoritas de Hiroriko Araki, que foi usada tão bem como encerramento que acabou gerando uma onda de memes na internet. Como a história se passa em duas partes, o David Production contratou dois compositores, cada um com a tarefa de ambientar melhor as partes de acordo com a época, e acaba sendo bem interessante em sua primeira parte, mas devo ressaltar que a segunda parte do anime acaba tendo músicas que não se encaixam em certos momentos. Ao pesquisar sobre isso, descobri que o compositor da segunda parte do anime reclamou que suas composições foram mal utilizadas, dando a entender que o erro foi do estúdio em sua edição.

              Sobre a história, devemos considerar que este anime é baseado em uma história do final dos anos 80, então acaba sendo simples para os padrões atuais. Hiroriko Araki queria fazer uma base sólida para melhorar a história com o tempo, coisa que se consegue notar, tanto a evolução de seu método de contar histórias, quanto sua arte. A primeira parte do anime se passa na Inglaterra nos anos 1880 e conta a história de Jonathan Joestar, Dio Brando e uma máscara de pedra mística. Admito que me senti muito incomodado assistindo os primeiros episódios, já que eles são baseados completamente em descrever a relação extremamente problemática entre Jonathan Joestar e Dio Brando. Acredito que tenha a função de deixar o espectador se sentindo na posição de Jonathan Joestar de raiva de Dio, mas em mim, me deixou pulando partes do episódio para que chegasse na parte da história que realmente me cativasse. Os personagens são MUITO unidimensionais, JoJo é a personificação clichê do bem e Dio é a personificação clichê do mal.

              Na segunda parte da história, temos Joseph Joestar, neto de Jonathan Joestar, em Nova York no ano de 1938. A segunda parte da história tem como antagonistas os Homens do Pilar, Wham, Cars e ACDC, responsáveis pela criação da máscara de pedra da primeira parte. A continuidade da história é bem demonstrada, com personagens envelhecendo e ambientações mudando, algo que provavelmente quem leu o mangá na época do lançamento sentiu muito mais adequado. Devo citar que JoJo é realmente uma adaptação fiel ao mangá e isso inclui o fato de que as batalhas e eventos não são esticados como acontecem em animes, onde um evento de 2 páginas se transforma em 3 episódios. Em metade de um episódio, a história de JoJo já avança o que se deve avançar, e isso faz com que o anime acabe sendo leve de assistir, sem protelar demais. Como a história é simples, algo que é tolerável pela época em que o mangá foi lançado originalmente, é possível perceber melhor a interação entre os personagens e o estilo de arte, onde os personagens sempre terminam com posições cheias de estilo levadas ao extremo, como se viessem completamente do Glam Rock. O nome dos personagens, inclusive, denunciam o gosto musical de Hiroriko Araki. Os personagens possuem dublagens bem-feitas em seu idioma original, onde a personalidade dos personagens realmente é exacerbada.

              Em conclusão, JoJo’s Bizarre Adventure é um anime sobre homens extremamente musculosos em posições extremamente exacerbadas que não explora demais o seu tempo e que por mais esquisito que pareça, é extremamente divertido de assistir. É como comer um bolo de cenoura com calda de chocolate: quando nunca se ouviu falar da combinação, parece ser algo esquisito (“Como assim cenoura? Não é para se comer cozido como verdura?”), mas que acaba potencializando o sabor doce do chocolate, tornando uma mistura bem saborosa e com um sabor único do que comparando com só o chocolate.