RMA no Brasil: A garantia pela qual você pagou existe?

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              A polêmica levantada pelos usuários que compraram placas-mãe de alta performance da ASUS, que investiram alguns milhares de reais no produto e, ao precisarem da garantia, descobriram que a ASUS Brasil só dava os 3 meses de garantia constitucional, apesar de na caixa do produto vir com 5 anos de garantia. Sim, amigos, isso vem acontecendo há mais tempo do que pensamos. Aqui enfatizo que estou falando de placas-mãe que chegam com facilidade acima de R$ 1.000,00.

              Um youtuber resolveu colocar a boca no trombone ao descobrir que sua placa-mãe ASUS com cinco anos de garantia na caixa parou de funcionar e a ASUS Brasil disse que ‘’não poderia fazer nada’’, pois a garantia só valia para outros países. A placa em questão é socket am4 da AMD para um Ryzen 1800x ( topo de linha da AMD), ou seja, a placa é muito recente e, em tese, com componentes de qualidade, mas o que mais assusta é a negligência da ASUS Brasil para com um comunicador, imagina um mero usuário comum. Mas, como tudo pode piorar, os internautas começaram a soltar vários relatos muito parecidos com o do youtuber e ganhou mais peso quando a ChipArt, através do seu canal, se mostrou conhecedora e prejudicada pela ASUS ao negar fazer a troca de placa e eles terem que custear o RMA do cliente. Para nosso espanto, ficou público (e não desmentido) que essa é uma prática corriqueira da ASUS, ou seja, quando uma placa-mãe sua queima, quem troca não é a ASUS, é o próprio lojista, aqui é importante lembrar que a ASUS é dividida em várias empresas e que a ASUS que falamos é a ASUS Placa-mãe. O que nos assusta é o silêncio e o imenso número de relatos na web de uma empresa que sempre gozou da preferência do consumidor e aqui também fica o nosso registro das excelentes placas-mãe feitas pela ASUS, mas também nosso repudio a falta de respeito ao consumidor brasileiro.

              Na América Latina, a ASUS oferece mais que um ano de garantia a placas-mãe mais básicas. O que levou muitos brasileiros a questionarem o porquê da diferença com o consumidor brasileiro que paga muito caro por suas placas. Isso fez com que vários influenciadores digitais se posicionassem sobre as atitudes da ASUS e sua experiência com a empresa. Podemos nos deparar com inúmeros casos em que a ASUS abandonou seu cliente no pós-venda.

              Diante desse barulho, muitos consumidores começaram a se perguntar em que empresa realmente poderiam confiar e como elas se posicionavam de forma oficial em relação à garantia no Brasil. O assunto ficou tão sério que a loja Terabyte lançou um vídeo mostrando que recentemente estavam com muitas placas de vídeo que receberam dos clientes com defeito e as empresas não as recebiam e o dono da Terabayte entrou em contato com a Nvidia para pressionar as fabricantes de placas de vídeo a honrarem sua garantia e ele não ter de arcar com os custos. No vídeo, ele mesmo fala da situação difícil em que fica o lojista que, muitas vezes, nada pode fazer além de aceitar essas práticas abusivas para não ficar queimado junto às empresas que as fabricam.

              A MSI já se pronunciou oficialmente dizendo que oferece 3 anos de garantia em todos os seus produtos no Brasil. A Galaxy já se pronunciou dizendo que dá dois anos de garantia nos seus produtos no país. Ainda não temos informações claras de outras empresas.

              O código do consumidor deixa claro que a garantia na caixa do produto deve ser seguida pela empresa, mas aqui começamos nossa dor de cabeça, pois muitas dessas empresas não possuem sequer um escritório no Brasil, então mesmo se recorrer à justiça, não há quem processar. As lojas, através das notas fiscais, só são obrigadas a dar 3 meses de garantia e, geralmente, dão um ano, ficando o consumidor apenas com a garantia ilusória da caixa de papelão.

              Há também casos como os da EVGA que dão 3 anos de garantia, sendo que um é nacional (junto a loja) e os outros dois são junto a EVGA dos EUA, onde o cliente paga o envio (isso não é permitido pela legislação brasileira), mas tem todo reparo e devolução da placa de vídeo. Falando em EVGA, ela foi uma das marcas que vimos ser mais defendidas por clientes que precisaram do RMA. Outra marca muito bem falada pelos consumidores é a Galaxy, que agora tem a Tech Lab encabeçando seu conserto no Brasil. A Intel e a AMD também têm boa reputação em relação ao RMA junto aos clientes. Além dessas 4 marcas que possuem avaliações positivas anos-luz à frente das negativas, as outras estão no páreo lutando por consumidores que afirmam que não querem mais consumir seus produtos e aspirando por produtos com suporte adequado.

              Mesmo não sendo um movimento organizado, é uma das primeiras vezes (senão a primeira) que produtores de conteúdo, lojistas, influenciadores digitais e consumidores se unem em um mesmo coro pedindo produtos de qualidade e bom tratamento no pós-venda, mostrando até um nicho que pode ser explorado por novas empresas ou mesmo antigas que queiram ganhar uma maior fatia do mercado. Mas e você? Já comprou algo que parou de funcionar e a empresa te destratou? Já lhe disseram que era mau uso sem ter aberto a caixa que você enviou e sem ter todo procedimento filmado? Pagaria a mais por uma boa garantia direto com o fabricante? Nós do Puxadinho gostaríamos que você compartilhasse as histórias que você teve com empresas e produtos que precisaram de reparo ou de uma troca.

 
TECHGG (geekGu)