Opinião Sincera | O Rei Amarelo em Quadrinhos

 

              Organizado por Raphael Fernandes e publicado pela Editora Draco em 2015, O Rei Amarelo em Quadrinhos é uma coletânea de oito contos, escritos e desenhados por brasileiros, que exploram o conceito desenvolvido por Robert Chambers no final do século XIX: o REI AMARELO. Ao longo dos contos, pessoas aparentemente normais se entregam a insanidade após terem contato com um enlouquecedor e decadente soberano.

              Meu primeiro contato com esse icônico personagem amarelado foi com a primeira temporada da série True Detective em 2014, onde nomes como Carcosa e Hali são elementos chaves dos crimes ali investigados. Porém, foi numa visita à CCXP em 2015 que conheci o trabalho feito pela Editora Draco e comprei sem pestanejar. Ainda tive o bônus de conseguir autógrafos de alguns dos criadores do material (adoro me gabar mostrando as incríveis artes que alguns dos desenhistas fizeram para mim).

              Rei Amarelo em Quadrinhos é a primeira parte da trilogia da Draco sobre Horror cósmico. O ponto que julguei mais interessante no conceito da coleção é o uso de apenas preto, branco e uma única coloração – como o nome já sugere, no álbum em questão é amarelo. As demais peças do conjunto foram O Despertar de Cthulhu em Quadrinhos (lançado em 2016) e Os Demônios da Goétia em Quadrinhos (2018). Devo admitir que dentro da trilogia, Rei Amarelo é a minha menos favorita, além de achar a mais “”leve”” (note a quantidade de aspas que coloquei), mas isso é pelo impacto que as outras duas me causaram.

              No que se refere a minha apreciação da obra, tenho grandes elogios aos contos aqui desenvolvidos. São oito histórias que aprofundam o trabalho do Chambers, modernizando este clássico. Obviamente, por serem várias histórias, com traços e estilos narrativos diferentes, não gostei de todos, mas esse descontentamento se deve por um gosto pessoal e não por uma falta de qualidade. Além disso, no início desse ano comprei a edição do Rei de Amarelo do Chambers, publicada pela Editora Intrínseca, e reler essa HQ após ter conhecimento dos contos originais tornou a leitura muito mais interessante.

              Sintetizando o meu digitatório, a Draco abre sua As Cores do Horror muito bem, dando espaço para os álbuns seguintes irem mergulhando cada vez mais em loucura, desespero e corrupção. Quanto à HQ em si, ela é um ótimo material para introduzir leitores que desconhecem o Rei de Amarelo e se torna melhor ainda para aqueles que já são familiarizados com as estranhas luas que percorrem o céu no crepúsculo carmesim da perdida Carcosa.