Opinião Sincera | Greta Van Fleet

 

Os novos messias do Rock: Como quatro moleques viraram a nova esperança do século?

De tempos em tempos, surge uma banda que todos os fãs de rock tratam como Jesus. Eles colocam toda a sua esperança de que ela vai salvar o gênero que há muito tempo não ganha destaque no topo das paradas (Arctic Monkeys, ainda estamos esperando).

Os salvadores da pátria desta vez não são britânicos, como os messias que mais recentemente os antecederam, refiro-me a Arctic Monkeys e Royal Blood. Duas bandas fantásticas, mas que ainda não são “a banda que ressuscitou o rock”. Desta vez as esperanças estão depositadas em um quarteto americano de uma cidadezinha de 8000 habitantes, no Michigan, composta por 3 irmãos e um amigo: Josh Kiszka (vocal), Jake Kiszka (guitarra) Sam Kiszka (baixo) e Danny Wagner (bateria). O nome da banda? Greta Van Fleet.

Mas por que uma banda formada em 2012, que ainda nem lançou seu primeiro disco e cujos membros mais velhos têm 21 anos (Josh e Jake, gêmeos), pode ser considerada a maior revelação deste século? Bem, imagine que Robert Plant e Janis Joplin tivessem um filho, esse seria Josh Kiszka. Puxando mais para o pai do que para a mãe, mas ainda guardando elementos da Janis em algumas canções (Ouça “Highway Tune” e “A Change Is Gonna Come”). Agora pense em um guitarrista que tem apenas 21 anos, mas que produz riffs que fariam Jimmy Page dar um sorrisinho de canto de boca: esse é Jake Kiszka. A sua tranquilidade e segurança nas palhetadas soam como alguém que está nos palcos há décadas (Ouça “Watching Over” e “When the Curtain Falls”). O baixista é tão tímido e habilidoso quanto John Paul Jones, mas com um estilo próprio, que com certeza vai te fazer sentir sua presença (Ouça “Safari Song”). Já o baterista, o único que não é da família, é um dos grandes destaques da banda, pois seu estilo é comparado ao do lendário e considerado um dos melhores bateristas de todos os tempos, John Bonham. Sua técnica que alia precisão a perfeccionismo realmente lembra o baterista do Led Zeppelin (Ouça “Edge of Darkness”).

Após ouvir o primeiro minuto de qualquer música do Greta Van Fleet, você vai entender por que usei os integrantes do Led Zeppelin como comparação. Eles são considerados a reencarnação de uma das maiores bandas de todos os tempos, e isso é um grande fardo a se carregar, e que a mídia insiste em colocar em toda banda de destaque que surge. Foi assim com o Arctic Monkeys, comparado com o Oasis, o mesmo ocorreu com o Royal Blood, comparado com o The White Stripes. Mas a banda não faz a menor questão de se distanciar dessa comparação, inclusive adotando um figurino parecido em alguns dos seus shows. Alguns gostam, pois argumentam que ser comparado com uma banda como o Led Zeppelin é um ótimo sinal, outros nem tanto, pois dizem que falta originalidade e que a banda deve procurar seu próprio caminho. Mas penso que o Greta está em uma linha tênue entre as duas argumentações, pois, ao mesmo tempo em que se percebe uma clara similaridade em algumas músicas como “Flower Power” e “Highway Tune”, a banda também adota um estilo próprio em outras, criando uma sonoridade única e com refrãos cheios de energia que só se escuta em grandes bandas, como ocorre em “Black Smoke Rising” e “Talk On The Street”.

Uma prova da sua construção de identidade são seus covers. O primeiro e mais impressionante, é “A Change Is Gonna Come”, versão da histórica música do grande Sam Cook. Ao escutar a música original e depois a versão do Greta, percebe-se que a banda conseguiu imprimir com perfeição suas características, provando que a banda está procurando traçar seu próprio caminho. O segundo cover, também muito bem construído, é “Meet on the ledge”, de uma banda fantástica, mas pouquíssimo conhecida pelos brasileiros, Fairport Convention. Aqui, os garotos de Michigan também conseguem passar sua identidade com clareza. Ouça a original e a versão dos americanos e entenderá o que estou falando.

O alvoroço em cima da banda é tão grande que eles nem mesmo lançaram um álbum completo. Seu portfólio é composto por dois EPs menores e um EP que juntou músicas dos dois primeiros e adicionou mais algumas faixas, e já foi o suficiente para ser colocada no topo do cenário rock mundial. Mas esse gap está prestes a ser preenchido, pois a banda já liberou 2 músicas do seu álbum de estreia (“Watching Over” e “When The Curtain Falls”), mostrou o nome das outras e anunciou a data de estréia: 19/10/2018. Talvez essa venha a ser uma data que entrará para a história do rock, ou não... Só o tempo e o Spotify dirão.

Espero que daqui a 40 anos quando eu estiver em minha cadeira de balanço, reclamando da vida e que já não produzem músicas como antigamente, eu possa citar o Greta Van Fleet como exemplo e me gabar que vivi seu nascimento, sua ascensão e sua glória. Assim como sinto inveja quando meu pai cita Pink Floyd, Led Zeppelin e U2 como “as bandas do meu tempo”, torço para que meu filho sinta o mesmo quando eu me gabar de Greta Van Fleet, Royal Blood e Arctic Monkeys. Talvez seja um pouco de exagero, mas esses mitos se constroem com o passar do tempo, mitos que dizem que o rock morreu. Mas, parafraseando Alex Turner no seu discurso de premiação do Brit Awards 2014: “Isso é rock ‘n’ roll. Ele não vai embora, pode hibernar de tempos em tempos(...), mas ele está sempre lá, no canto, preparado para retornar do esquecimento e quebrar o teto de vidro, mostrando-se melhor do que nunca(...), ele nunca vai morrer, e não há nada que você possa fazer sobre isso(...)”.

 

·         Como virar fã do Greta Van Fleet em 5 passos?

1.      Reação de um produtor musical ao cover de “Change is Gonna Come”:

2.      Benção de Robert Plant ao Greta Van Fleet: https://www.radiorock.com.br/2018/04/01/greta-van-fleet-recebe-bencao-de-robert-plant-led-zeppelin/

3.      Idosos não conseguem diferenciar Led Zeppelin e Greta Van Fleet:

4.      Clipe de Highway Tune:

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