Opinião Sincera | O Expresso do Amanhã

 

Com o intuito de conter o aquecimento global, os cientistas desenvolvem um produto químico para resfriar a Terra, porém o experimento dá errado e o planeta congela. Os únicos sobreviventes dessa catástrofe estão a bordo de um expresso que funciona sem parar e é dividido em classes sociais. É dai que surge a premissa básica do filme: uma rebelião dos pobres devido às suas condições sub-humanas de vida.

O filme é uma coprodução que traz o melhor dos três mundos: o conteúdo francês, já que a HQ Le Transpercenige serve de base para o roteiro; a direção sul coreana por conta de Bong Joon-Ho, que produz cenas de ação, no mínimo, interessantes; e atores estadunidenses como Chris Evans, Octavia Spencer e Tilda Swinton.

O longa possui um viés politico ao retratar a luta de classes entre os vagões traseiros e os dianteiros. A comparação entre a vida humilhante e degradante dos pobres, os quais não tem direito nem sequer a banhos e uma alimentação digna, e a vida luxuosa dos mais abastados causa uma grande revolta tanto entre os personagens quanto entre os espectadores, já que retrata essa situação de forma tão crua e brutal que é impossível se manter imparcial. Sendo assim, o Expresso do Amanhã leva aqueles que o assistem a refletir sobre a própria realidade, na qual os mais ricos detêm grande parte da riqueza e do poder, enquanto aos mais pobres resta uma vida sob condições extremamente difíceis.

Outro ponto de análise do filme é a alienação dos mais ricos, que cultuam Wilford, o dono do trem, como um deus. Essa lavagem cerebral fica clara até nas crianças, o que gera cenas bizarras como uma apresentação com direito a música e coreografia para Wilford. Tudo isso ocorre com o intuito de evitar rebeliões e manter “cada um no seu lugar”, assim, o poder é garantido àqueles que já estão no topo.

Um filme político que se esconde por trás de um filme de ação que nos leva a refletir “Bem parecido como algumas realidade, né?”