Opinião Sincera | O Lagosta

 

Sabe os filmes de romance, aquele amor sem fim? Amor para a vida toda? Alma gêmea? Morrer de amor? Pega tudo isso e joga fora, pronto, agora sim vai para O Lagosta.

Em uma sociedade onde todos são obrigados a estar em um relacionamento, David, que acaba de ficar solteiro, é enviado para um hotel, no qual tem 45 dias para encontrar uma parceira, caso contrário, ele é transformado em um animal. O repúdio a solteirice é tanto que é realizada toda noite uma caça àqueles que desafiam a lei e vivem em “liberdade”: solteiros e nas florestas, onde há uma espécie de norma que diz que, ironicamente, as pessoas não podem estar em relacionamentos. É a partir dessa jornada que o diretor Yorgos Lanthimos guia o filme, alternando entre bizarrices e alguns poucos pontos de coerência.

 O filme discute diversas concepções sobre o amor, resumindo-o a encontrar alguém com uma característica física ou psicológica semelhante a você, levando até a um dos personagens machucar seu nariz diariamente para fazê-lo sangrar como o da sua parceira. Um outro ponto a se pensar é quando a esse mesmo casal é designada uma filha para que, assim, o casal, que vinha passando por problemas, pudesse mais uma vez encontrar o “amor”. Indo mais a fundo, pode-se dizer que O Lagosta é um filme sobre liberdade, no qual prevalece a estrutura ao seu redor do que de fato as suas vontades e percepções individuais e como isso afeta o indivíduo.

Comecei a assistir a esse filme despretensiosamente, atraída pela bizarrice proposta pelo trailer e me surpreendi positivamente. O Lagosta não vai te explicar as coisas de forma mastigada e é preciso prestar atenção às pequenas coisas para entender o que o filme realmente quer dizer. Também não segue o ritmo dos filmes comerciais, sendo bastante parado levando até a monotonia em certos momentos, diria até que meia hora de filme poderia ser retirada sem fazer a menor diferença. Sinceramente não senti um clímax na história, porém isso não me impediu de me envolver no filme e ficar curiosa quanto ao que ia acontecer.

Por fim, super indico o filme, mas vá de cabeça aberta, é um filme diferentão, cujo forte é a reflexão que ele propõe.

 
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