Opinião Sincera | Kingdom

 

As produções sul-coreanas vêm chamando atenção pela sua qualidade e inovação, trazendo um novo fôlego para temáticas consideradas saturadas, como o mundo dos mortos vivos. Após o sucesso estrondoso de Invasão Zumbi (Train to Busan), agora é a vez da nova série da Netflix, Kingdom, ganhar o seu espaço. Com apenas 6 episódios, a série chama atenção pelo seu diferencial por se tratar de um drama histórico com zumbis.

            A trama de Kingdom se passa na época da Dinastia Joseon (1392 – 1897). O rei, acometido por uma doença misteriosa, é isolado no palácio e torna-se incomunicável. Ao surgirem rumores de que o soberano está morto, tem início um momento de instabilidade política no qual Yi-Chang (Ju Ji-hoon), príncipe herdeiro e filho ilegítimo do rei, entra em confronto direto com a jovem rainha, que fará de tudo para que o rapaz não assuma o trono.

O príncipe, com a ajuda de seu fiel escudeiro Muyeong (Kim Sang-ho), parte em uma missão secreta para investigar o que realmente aconteceu com seu pai, viajando para encontrar o último médico que o atendeu e conseguir respostas. Em sua jornada, Yi-Chang se depara com uma praga que traz os mortos de volta a vida, se tornando rapidamente uma epidemia e ameaçando o reino. A dupla se une com a enfermeira Seo-Bi(Bae Donna, a Sun de Sense8) e com o misterioso Yeong-Shin (Kim Sung-gyu) na luta paraimpedir o avanço dos mortos vivos.

Diferente de outras franquias em que não se explora as origens da infestação zumbi, em Kingdom, acompanhamos como os jogos de poder culminaram para uma realidade perigosa que põe em risco a vida da população. Há um sentido na crise, o espectador não é obrigado a aceitar que simplesmente os mortos vivos apareceram e é isso. Isso preenche uma lacuna deixada pelos filmes e séries de zumbi em geral, permitindo que você tenha uma visão ampliada dos acontecimentos e realmente entenda a dinâmica do que está acontecendo ali. Junto com os personagens, você sai em busca de respostas e se questiona como o problema será resolvido. Além disso, há um maior envolvimento na trama quando sabemos o que há por trás de tudo aquilo, nos questionando até que ponto os políticos vão para continuar no poder – mesmo que isso signifique sacrificar muitas vidas.

Um grande destaque do seriado é a sua ambientação. Por se tratar de um drama histórico, somos levados a uma Coréia medieval que foge do padrão a que estamos acostumados em mídias/filmes/séries que envolvam zumbis (grandes centros urbanos em um mundo com um certo grau de tecnologia), trazendo novos desafios. O cenário e as paisagens chamam bastante atenção, bem como os figurinos e a representação dos costumes de uma sociedade diferente da nossa.

Um sentimento bastante presente enquanto eu assistia a Kingdom era a angústia. Em uma época onde não há muitas formas de se defender de uma ameaça nessa proporção, as armas de fogo são pouco comuns e difíceis de usar e a única forma de percorrer longas distâncias é a pé ou a cavalo, a sensação de perigo está presente a todo momento. Sempre que havia algum embate eu sentia a tensão dos personagens, porque não era algo facilmente solucionável. Além disso, os zumbis de Kingdom tem uma característica um pouco diferente: eles são rápidos. Eles correm bastante, eles te perseguem e eles não cansam. Fazia bastante tempo desde que alguma coisa conseguiu me deixar tão inquieta enquanto eu assistia, e tudo isso foi resultado dessa combinação.

Kingdom é uma aposta ambiciosa da Netflix. O custo de produção da série é elevado, mas isso se reflete na boa qualidade da trama apresentada. Apesar de curto, o drama não deixa nada a desejar, sendo bastante dinâmico e sem espaço para enrolação. A primeira temporada termina com uma reviravolta no estilo Game of Thrones, nos deixando ansiosos para uma segunda temporada que, aliás, já foi encomendada pela Netflix!

Ficou interessado? Confira o trailer de Kingdom: