Opinião Sincera | Corações de Ferro

 

Em meio à Segunda Guerra Mundial, Corações de Ferro acompanha a trajetória de um pelotão a partir da chegada de Norman, um jovem cuja formação em datilografia em nada o preparou para os horrores da guerra. Lançado em 2014 e dirigido e escrito por David Ayer, o filme se destaca por abordar não só a guerra em si, mas também o seu impacto psicológico.

Esse retrato brutal e realista da guerra logo de cara me chamou atenção por comparar a inocência do recém-chegado Norman com a vivência dos veteranos com quem ele convive. Enquanto que os que já estavam na guerra há um tempo pareciam ser insensíveis quanto à vida e matavam “sem problemas” (viviam mais bêbados que sóbrios) chegando até a aproveitar o momento, o novato se via horrorizado diante das coisas que teria que fazer, preferindo morrer a acabar com a vida dos seus inimigos. Porém Norman se desenvolve ao longo do filme, sendo transformado pelo meio e, em pouco tempo, acaba tendo o mesmo comportamento dos veteranos diante da vida dos nazistas.

Por outro lado, o longa mostra um contraponto: como os homens não se tornam unicamente armas de matança. A dureza da guerra de fato os modifica, mas a vivência que só eles entendem cria um laço entre o pelotão, demonstrando companheirismo e o senso de proteção de um com os outros, o que é bem interessante quando se analisa a insignificância para eles de qualquer outra pessoa. Além disso, viver à beira da morte não diminui o medo que os combatentes têm do fim da vida.

Por fim, Corações de Ferro não tem uma jornada impressionante ou de superação, o roteiro foca que o problema da guerra é ela brutalizar o homem, mas não os torna máquinas; assim, apesar de existirem sentimentos, a guerra mostra o que o homem é capaz de fazer. A violência física também é retratada e foram cenas que me incomodaram um pouco já que os tiros eram uns fachos de luz vermelhas e verdes, parecendo Star Wars, mas não foi nada que tenha atrapalhado minha experiência.

Apesar de agressivo e bastante visual, o filme é fantástico e nos faz pensar sobre as consequências desses conflitos.