Opinião Sincera | The Umbrella Academy (Netflix)

 

Durante a onda de super-heróis, a Netflix decidiu inovar com sua nova série original The Umbrella Academy. Com o anúncio da Disney sobre seu streaming (Disney+), a Netflix perdeu os direitos sobre algumas séries, como Demolidor e O Justiceiro. A solução para esse problema foi criar uma série totalmente original baseada em HQ’s que não são da Marvel, nem da DC. O resultado é um universo novo e muito intrigante, mas que não teve todo seu potencial explorado, além de um roteiro um pouco maluco.

A série é baseada nos dois volumes dos quadrinhos de mesmo nome escrita por Gerard Way (ex-vocalista da banda My Chemical Romance) e ilustrada pelo artista brasileiro Gabriel Bá. As HQ’s foram lançadas em 2007 e ganhou, em 2018, o Prêmio Eisner de Melhor Minissérie. O roteiro foi adaptado por Jeremy Slater (O Exorcista e Quarteto Fantástico). O roteiro não conseguiu abraçar muitas coisas interessantes das HQ’s, mas o esforço para trazer algo criativo e divertido é grande.

Tudo se passa em um universo um pouco bizarro. O dos quadrinhos é ainda mais, mas a série mostrou um pouquinho dele, deixando claro que não se trata da nossa realidade. O enredo se desenvolve em torno de sete jovens problemáticos e disfuncionais que possuem superpoderes e precisam salvar o mundo de um iminente apocalipse. São eles: Número Um ou Luther (Tom Hopper), um homem modificado geneticamente que possui super força; Número Dois ou Diego (David Castañeda), que manipula facas; Número Três ou Allison (Emmy Raver-Lampman), que possui a habilidade de manipular a mente; Número Quatro ou Klaus (Robert Sheehan), uma pessoa excêntrica que consegue falar com os mortos; Número Cinco (ele não tem um nome- Aidan Gallagher), que pode viajar pelo espaço tempo; Número Seis ou Ben, que está morto e é apenas um espírito andando com Klaus; e Número Sete ou Vanya, interpretada por Ellen Page, uma garota sem poderes.

Eles foram criados como irmãos, mas em certo momento da vida se separaram, vivendo cada um com seu complexo e seus problemas emocionais. Com a morte do pai, se reencontram para o funeral e algo maluco acontece: o Número Cinco, até então desaparecido, volta do futuro como um homem de 50 anos em um corpo de menino de 13 e anuncia que o mundo vai acabar em alguns dias. Cada um tem sua personalidade bem definida, chegando a ser um clichê em certos momentos. Mas o fato é que o elenco foi bem escolhido. É muito divertido acompanhar Klaus, e Aidan Gallagher consegue mesmo passar a ideia de que é um velho em corpo de jovem. Outros personagens que se destacam são os anti-heróis Cha Cha e Hazel.

O ritmo da série é frenético. Todas essas tramas e alguns romances são apresentados logo de cara, prendendo totalmente a atenção, trazendo certos momentos de tensão. Esse foi um grande acerto da série. Porém, lá para o meio dos 10 episódios, eles se perderam um pouco, dando ênfase demais em momentos desnecessários, como dança ao luar, conversas observando pássaros e explicações repetidas do mesmo fato. Talvez a intenção fosse reduzir um pouco a velocidade e nos dar tempo para absorver tanta informação, mas acabou desviando a atenção do que realmente interessa: o fim do mundo, que acabou ficando em plano secundário.

Os clichês são incontáveis. Eu não poderia nem explicar com mais profundidade sem dar spoiler, mas, além das personalidades totalmente previsíveis, o desenvolvimento da trama de alguns personagens também é, principalmente em relação à Vanya. Nesse ponto preciso falar sobre o mau aproveitamento de Ellen Page, que só teve seu destaque nos últimos episódios, mas que poderia ter sido mais explorada, afinal, é Ellen Page.

O visual foi outro acerto. Diferente das cores e iluminação escuras das séries anteriores da plataforma, The Umbrella Acadamy é bem iluminada, fugindo do clichê do gênero e do tom sombrio que a Netflix sempre usa. A trilha sonora é perfeita, traduzindo essa energia frenética; escuto o tempo todo no Spotify. Isso talvez se dê pelo fato da influência de Gerard Way (inclusive tem duas músicas dele). Mas é difícil ignorar que, em certos momentos, as músicas não combinam com a cena, ficando exageradas demais, como na cena em que toca “Don’t Stop Me Now” do Queen.

Eu gostei muito da série, é uma boa distração. Ela é divertida e até emocionante. A Netflix ultimamente vem inovando em alguns campos e aqui não foi diferente. Os pontos falhos no roteiro não atrapalharam a diversão. Além disso, o gancho deixado pelo último episódio foi muito bom. Deixou-me muito curiosa sobre a continuação. Dessa vez não foi tão previsível assim, afinal estamos falando de viagem no tempo e irmãos malucos. A segunda temporada já está confirmada juntamente com seu elenco original, com 10 episódios, e em breve as gravações irão começar. Vale a pena assistir.