Opinião Sincera | Chernobyl

 

Chernobyl é uma série que com certeza pegou todo mundo de surpresa, pois não foi muito anunciada e não se tinha nenhuma expectativa, não havia um grande hype, mas aí, do nada, ela simplesmente se tornou a maior nota do IMDB (9,6) que pertencia à aclamada Game of Thrones (9,4). A série se torna ainda mais interessante quando você fica sabendo quem a dirigiu: Craig Mazin, conhecido pela direção do filme de comédia “Se Beber Não Case”, que mudança ein...

Quando começou a se falar em Chernobyl, achei que era mais uma série de zumbis, até pelo cartaz da série, que tem um ar bem macabro. Mas não tem nada a ver. A série é extremamente fiel aos fatos do desastre, e demonstra com extrema riqueza de detalhes os acontecimentos e comportamentos dos russos, com uma ou outra liberdade poética. Por exemplo, a série até interpreta como os soviéticos costumavam se chamar: “camarada”, sendo elogiada por esses detalhes comportamentais, até pelos próprios russos, eles só fizeram ressalvas pela maneira como o ato de apoiar o rifle é interpretado, pois os americanos geralmente usam nas costas, e os russos colada ao peito.

O mais interessante é que a série não se limita ao desastre, mas promove reflexões bem mais profundas. Faz isso através da retratação fiel do comportamento dos membros do governo da União Soviética durante o acidente. Mostra que os governantes estavam muito mais preocupados em tentar mascarar o que aconteceu diante dos seus inimigos do que tentar proteger a população da radiação. Isso acontece principalmente pela União Soviética não ter sido um governo democrático, por essa razão, quem está no poder não se preocupa em prestar contas à população.

A série foca principalmente em 3 personagens: Valery Legasov (Jared Harris), cientista russo que liderou as investigações sobre o acidente; Ulana Khomyuk (Emily Watson), ela foi uma das poucas criações da série,  pois não existiu de fato, mas, segundo os criadores da série, ela representa os cientistas que trabalharam junto a Legasov para investigar o desastre e ameniza-lo; Boris Shcherbina (Stellan Skarsgård), vice-presidente do Conselho de Ministros, homem do governo encarregado principalmente de gerir as crises do governo, e trabalhou junto a Legasov para investigar o acidente (mesmo que com muita relutância). Todas as atuações são muito boas, e não tentam ficar simulando um sotaque russo como alguns filmes americanos fazem.

Toda a série é muito bem amarrada, nada é colocado sem necessidade, tudo tem uma consequência. Por ser uma minissérie, com apenas 5 episódios, a narrativa é muito mais enxuta, e não se perde com fatos desnecessários, ela vai direto ao ponto, sem muita enrolação. Faz isso sem ter uma narrativa acelerada (eu escutei 8º temporada de GOT?), o ritmo é cadenciado, mas ao mesmo tempo te prende. Por ser baseada em fatos, ela a todo momento te faz refletir, pensar que aquelas consequências absurdas de fato aconteceram. Dá uma angústia ver todas aquelas pessoas sendo expostas a radiação, homens, mulheres, crianças, bebês e animais, sem nenhum conhecimento do mal que aquilo vai trazer para elas. É triste ver que aquilo de fato aconteceu.

De forma geral, Chernobyl em pouco tempo já se coloca no panteão das grandes séries da HBO, junto a Game of Thrones, The Sopranos, The Wire e Band of Brothers. Pode-se até falar que ela já se tornou um clássico, pois é o tipo de série obrigatória a quem gosta do gênero. É bom ser surpreendido assim, renova nossas esperanças quanto ao que vem pela frente nas produções da HBO e do mercado como um todo, pois esse tipo de série eleva o nível do mercado de entretenimento e faz a concorrência correr atrás. Faz-me perguntar quando a ficha da Netflix vai cair e ela vai perceber que é preferível qualidade a quantidade.

Mas e aí, vale a pena mesmo assisti-la? A resposta é direta e objetiva, assim como a série: Sim!

Ano: 2019 / Duração por episódio: 58min / Gênero: Drama

Direção: Craig Mazin

Elenco: Jared Harris, Stellan Skarsgård, Emily Watson