Opinião Sincera | Toy Story 4

 

Após anos brincando com uma turma que, além de serem seus brinquedos, eram seus melhores amigos, Andy foi para a faculdade e, para que sua mãe não se desfizesse deles e fossem parar em qualquer lugar, ele os entregou aos cuidados da menininha Bonnie. Pensamos que estava encerrada ali a aventura desses brinquedos, mas a Disney os trouxe para mais uma aventura nas telonas. Será que foi uma boa decisão?

Neste novo filme temos Woody sendo deixado de lado e começando a se sentir inútil, mas, para não ficar encostado em um armário, ele decide se “infiltrar” no primeiro dia de adaptação de Bonnie no jardim de infância. Lá é criado o Garfinho, novo brinquedo, que não consegue se convencer de que agora não é mais só um pedaço de lixo descartável. Woody então toma para si essa missão de fazer o Garfinho se encaixar em sua nova existência e é isso que dá o pontapé inicial dessa nova aventura.

Somos levados a acompanhar a cativante jornada desses brinquedos em seus eternos dilemas - manter a lealdade às suas crianças, enquanto uns nunca tiveram uma e sonham em finalmente encontra-la e outros foram perdidos e não mais veem sentido em ter um dono – e como isso influencia em suas decisões e, mesmo que alguns tenham atitudes duvidosas, conseguimos compreende-las conhecendo suas histórias e angústias.

Esse foi um ponto bastante interessante, pois a antagonista não é simplesmente motivada por vaidade, mas pelo seu desejo profundo de finalmente ter uma criança para brincar e ser sua companheira. Isso fez com que ela ganhasse certa complexidade, sendo boa vilã ao nível do urso Lotso, em Toy Story 3. Porém, ela poderia ter sido melhor explorada, o que foi prejudicado pelo fato de o filme possuir duas tramas ocorrendo simultaneamente.

O final deixou a desejar, pois construiu um personagem, durante toda a franquia, inclusive nesta parte 4, de uma forma, para no ponto clímax da história desconstruir tudo e faze-lo tomar uma decisão que não condiz com sua personalidade. O roteiro, reconhecendo essa personalidade firme, ainda usa como artifício uma retcon para justificar que ela seja “deixada de lado” nos minutos finais.

Por trás de toda essa trama, é muito divertido e cheio de nostalgia rever esses brinquedos e suas piadas muitas vezes geradas pelo seu jeito peculiar de olhar o “mundo dos humanos”, em particular do novo integrante da turma, o Garfinho, aprendendo sobre o mundo, se adaptando à sua nova condição e, no meio disso tudo, ainda ter que se meter numa treta com apenas dois dias de nascido.

Toy Story representou um marco na indústria das animações e foi uma decisão muito acertada da Disney trazer de volta a franquia, apresentando esses brinquedos queridos para uma nova geração de crianças, recomeçando um novo ciclo que foi fechado em 2010 com Andy indo para a faculdade e deixando sua infância para trás para começar uma nova fase em sua vida, representando o mesmo momento que eu e muitos que viram desde o lançamento do primeiro também estávamos passando.

Se ainda não assistir a esse filme, corre pra ver que vai valer muito a pena!